Estudo da Teologia Prática Fundamental
Sínteses
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Articulação dos modelos com os critérios de ação pastoral (ferramentas para a compreensão da realidade)
Ação Pastoral
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Modelos
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Tradicional
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Comunitário
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Evangelizador
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Libertador
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Origem
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Critérios
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Continuação
da missão de Cristo
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Teândrico
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A cultura
cristã transmite elementos e valores da fé – caráter divino mais marcado pela
imagem de sociedade perfeita
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Igreja
como comunhão comunitária, sacramento que provém de Jesus Cristo
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A Palavra
de Deus é fonte e origem da evangelização, vida e ação eclesial e pastoral
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Igreja
– sacramento de união entre Deus e a humanidade e desta em si
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Sacramental
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Ação
litúrgica potenciada – sacramentos são cura
animam -individualismo
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A
liturgia é comunitária – a Palavra de Deus é fonte e origem da evangelização
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Sacramentalidade significativa e eficaz –
liturgia evangelizadora
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Conceção
sacramental da Igreja – o Evangelho é força libertadora
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De conversão
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Conversão
por osmose - Educação, costumes, meio de crescimento do homem
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Comunidade
– serviço de salvação da comunidade humana, que mostra o poder transformador
do Amor que salva
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Infantilismo religioso – falta de conversão
Salvação oferecida
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Pela
transformação – Catequese é fonte da praxis libertadora
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Caminho
para o Reino
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Historicidade
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Aspetos
antropológicos pouco considerados
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A
dinâmica e a história são valorizadas
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Conceção antropológica da doutrina
oferecida pela Igreja
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A
Igreja dá significado ao reino para o instaurar na dimensão histórica
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Sinais dos tempos
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Não intervêm
na programação e projeção da ação pastoral- não há atitude crítica
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Abertura
aos sinais dos tempos e sua leitura
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Abertura da Igreja ao mundo. A Igreja é
sacramento para o mundo
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Tomada
de consciência da situação real concreta da sociedade
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Universalidade
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Força
social da Igreja – mundo cristão - massificação
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Vivência
comunitária da fé – eclesiologia do Povo de Deus
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O mundo destinatário do ser e ação da
Igreja
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Transformação
da situação social pela evangelização para
que o anúncio seja eficaz
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Presença e missão
no mundo
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Diálogo
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Autocompreensão
da Igreja – não há diálogo – leigos
são
passivos
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Participação
e corresponsabilidade de todos os membros da comunidade
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Respeito
pela dignidade e autonomia da humanidade – serviço da Igreja
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Diálogo
com o mundo em busca de compromisso para uma sociedade mais justa
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Encarnação
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A
missão de Cristo é continuada pela hierarquia da Igreja
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Igreja
incarnada para serviço ao mundo, evangelização e liturgia
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Igreja – sacramento do amor e salvação de
Deus para a humanidade de hoje
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A
ação pastoral é a libertação daquilo que escraviza o ser humano, como sinal
da presença do Reino
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Missão
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Igreja
que não evangeliza, só alimenta
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Missionária
e catecumenal para evangelizar
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Autentificação da comunhão evangelizadora
– função profética
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Igreja
ao serviço do Reino – ação sócio-caritativa
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A pastoral, hoje, também está desafiada a fazer do presente
um tempo messiânico – um kairós. O “ainda não” da esperança cristã precisa tocar
o “já” do nosso momento presente, na vida pessoal e social do quotidiano. O
Reino de Deus só é salvação se for salvação para nós hoje, experimentado e
tocado em vivências concretas, pois a salvação é um fim que se dá no caminho.
Todo
compromisso pastoral brota de um discernimento da realidade, pois a finalidade
da evangelização é impregnar a história dos mistérios do Reino de Deus e
transfigurar em Cristo tudo o que está desfigurado por tantos sinais negativos.
Uma vez que a Palavra de Deus quer ser salvação para nós hoje, não há
fidelidade ao evangelho sem fidelidade à realidade. É preciso, pois, ter a
coragem de mudar a roupagem, de abandonar formas de ação e estruturas
obsoletas, para que a Mensagem seja, para nós, nova em cada manhã. A ação da Igreja só será equilibrada, justa e inclusiva se refletir, de forma permeável, estas quatro formas de mediação.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Presença das formas principais da ação evangelizadora da Igreja e da sua articulação no Plano Pastoral da Diocese de Coimbra 2013/2016
Os
desafios da atualidade pedem à Igreja que repense profundamente a sua missão, à
luz do grande acontecimento que foi Vaticano II, no sentido de que esta seja
uma continuação efetiva da missão evangelizadora de Cristo: o anúncio da Boa
Nova do Reino e sua presentificação. A salvação anunciada por Cristo é transcendente
e escatológica, pois já tem certamente o seu começo nesta vida, mas terá
realização completa na eternidade.
A
primeira Carta Pastoral do Bispo de Coimbra, intitulada “A alegria de crer e o
entusiasmo de comunicar a fé”, procurou ajudar a Igreja da diocese a sintonizar
com a Igreja Universal, convocada pelo Papa Bento XVI para ajudar a entrar em
profundidade no mistério da fé que
professamos, celebramos, rezamos e vivemos.
Assim
o Plano delineado pelo Secretariado de Coordenação Pastoral traça como grande
linha de força a evangelização em ordem ao desabrochar da fé em Jesus Cristo
como o único Salvador (Diaconía), à inserção na vida eclesial (Koinonía) como
lugar de vida e anúncio (Martyría) e à transformação do mundo por meio do testemunho
dos critérios evangélicos (Liturgia). Aqui se verifica a presença da constante
articulação e dinamismo unificador entre as mediações evangelizadoras da ação
da Igreja que fazem desta um todo orgânico, sinal de discernimento, de autenticidade
cristã e eclesial presente na ação pastoral ligada ao serviço e à comunhão.
A
diminuição acelerada da prática religiosa, a escassa presença e participação
dos jovens na vida da comunidade cristã, o distanciamento da cultura em relação
à fé e o ordenamento da vida social e moral fora dos parâmetros dos valores
cristãos são alguns dos sintomas mais
evidentes de que somos um vasto mundo a evangelizar, e, por isso, este plano pastoral
apresenta a Diocese de Coimbra como terra de missão, terreno a evangelizar. São
necessários sacerdotes e leigos, uns e outros a assumir a sua vocação e missão.
Ao
definir e formular a missão (Diocese de Coimbra, comunidade que
vive a fé e anuncia o Evangelho como caminho de encontro pessoal com Cristo,
Único salvador, e com a sua Igreja)
e a visão (Alicerçados em Cristo, formamos uma comunidade de discípulos para o
anúncio do Evangelho) para a Diocese de Coimbra no tempo presente, este
plano pastoral busca progredir na conquista de 4 objetivos que pretendem traçar
um caminho de aprofundamento da fé e fazer crescer o dinamismo de discípulos-missionários:
1º proporcionar o encontro pessoal com Cristo através do primeiro anúncio; 2º criar
o dinamismo do discipulado missionário nos membros da comunidade cristã; 3º criar
nos cristãos o «sentido de pertença» eclesial; 4º fomentar a
corresponsabilidade pastoral nas unidades pastorais. Além da vertente do
anúncio e da formação sólida dos que formam a comunidade de discípulos, o Plano
Pastoral pretende atender também à edificação da comunhão e à renovação das
estruturas eclesiais; dará ainda prioridade, no diálogo com o mundo, àquilo que
é património comum de cultura e valores com esse mesmo mundo.
Embora
os quatro objetivos definidos no Plano Pastoral sejam entendidos como um todo a
implementar na vida da Igreja diocesana, o ano passado intensificou-se a
reflexão e a ação em torno do primeiro, centrado no encontro pessoal com Cristo
através do primeiro anúncio (ação missionária). Para o ano de 2015, propôs-se
como ponto forte o segundo objetivo, que se refere à implementação de
dinamismos conducentes à criação de comunidades de discípulos missionários(ação catecumenal).
No
entanto, não haverá crescimento nem da comunidade, nem do anúncio, sem
testemunho de vida (presença e ação no mundo) e sem caridade (ação pastoral), que permanecem como valores subjacentes,
permanentes e transversais . O testemunho
da vida cristã é a primeira e insubstituível forma de missão (Exortação
Apostólica Redemptoris Missio 42-43).
Neste
tempo de prova que impulsiona o eu,
urge promover antes a comunidade como sacramento, porque é nela que a comunhão
com Cristo se realiza. Todos somos chamados a sentir-nos Igreja em estado de
missão: Ai de mim se não evangelizar,
pois esta é a nossa identidade de comunidade cristã.
Este
Plano Pastoral tem em conta todas as realidades da diocese e é nelas que a
Igreja é chamada a ser sal e luz. Reflete a urgência da mudança de atitude e da
conversão pastoral, reestruturando laços (modelo comunitário), para que a Igreja seja uma Igreja em estado de missão, de acordo com o pedido do Papa
Francisco na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium e para que 99% das
ovelhas do Rebanho do Pastor não se percam.
Fontes: Sotomayor, Alberich Emilio, Catequesis Evangelizadora, Manual de catequética fundamental, Editorial CCS, Madrid, 2003, pás. 45-63 e Plano Pastoral da Diocese de Coimbra para o triénio 2013-2016
Fontes: Sotomayor, Alberich Emilio, Catequesis Evangelizadora, Manual de catequética fundamental, Editorial CCS, Madrid, 2003, pás. 45-63 e Plano Pastoral da Diocese de Coimbra para o triénio 2013-2016
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
O que distingue a Teologia Prática das outras áreas do saber teológico, no contexto de universidade?
A Teologia Prática (TP), como disciplina teológica,
distingue-se da Dogmática, da Sistemática, da Bíblica e da Histórica, pois
surge para corrigir a própria Teologia, de cariz apologético, questionada pela
razão iluminista que se havia desviado da sua genuína vocação: a prática eficaz
da fé. A Teologia estava distante da vida da Igreja. No entanto, a TP só
encontra o seu lugar específico numa relação dinâmica de abertura com aquelas
disciplinas e também com as ciências humanas que são fundamentais na descrição
e compreensão da vida da comunidade cristã, objeto da TP.
Schleiermacher concebeu a Teologia Prática como a
disciplina que se ocupa com a técnica da condução e aperfeiçoamento da vida da
Igreja. Cabe-lhe fornecer os meios, os imperativos da ação, através dos quais a
hierarquia da Igreja dirige e regulamenta as funções e as manifestações da vida
eclesiástica, tais como o culto, a catequese, o aconselhamento e a própria
forma da vivência comunitária da fé.
Para Karl Ranher toda a Teologia deve ser pastoral e
toda a pastoral deve ser Teologia, considerando a pastoral quase como um
critério de avaliação da Teologia. Por sua vez, Norbert Greinacher entende a TP
como a disciplina à qual cabe intermediar o diálogo e a reflexão entre a teoria
teológica (teologia) e a prática da Igreja (pastoral), atribuindo-lhe o papel
de consciência prática da Teologia.
Não há teologia que não seja prática: prática de quem
reflete e de quem aprende, prática nos campos que cada um constrói. É aí que a
Igreja está em movimento e a comunidade se edifica. Toda a teologia que tem Jesus
Cristo como fundamento precisa de ser prática, pois resulta do seguimento da
sua cruz. Do estudo da ação humana, a TP perspetiva a ação eclesial, aqui e
agora, na sua projetualidade, sob o horizonte hermenêutico da fé, assente no
princípio da Encarnação, que une o divino perene e o humano limitado, implicando conversão.
O método da TP assenta numa correlação assimétrica
entre a fé e a história (a razão). Parte da observação dos problemas,
necessidades e anseios do mundo de hoje, reflete sobre eles, analisa-os à luz
dos fundamentos da Revelação e Tradição cristãs de uma forma científica e
propõe linhas de ação, projetos, programas. Estes serão caminho de prática da
Igreja, enquanto Povo de Deus comprometido, em comunhão, órgão vivo de salvação
que atua com discernimento, em contínuo diálogo, por influxo do Espírito Santo.
A Teologia Prática é, segundo Silva Lima, fazer prática
da Teologia na edificação quotidiana das comunidades. Reproduzindo
Schleiermacher, é a copa da árvore que oxigena o próprio tronco, quando esta
ameaça secar. Por isso, deve manter uma atitude reflexiva e autocrítica,
estando consciente das razões teológicas que a norteiam e não esquecendo o
compromisso com o Evangelho e a sua função profética.
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Qual a atualidade pastoral do II Concílio Vaticano?
Fonte: Ramos, Julio A., Teología Pastoral, ed. BAC, Madrid, 1995, pp. 55-100.
Proponho que
façamos uma pequena viagem pela Gaudium
et Spes, Constituição pastoral do Vaticano II, com o intuito de compreender se efetivamente há atualidade
na sua ação. Não se pode, no entanto deixar de evidenciar as três constituições
dogmáticas que a precederam, pois são a sua fundamentação: Dei Verbum, Sacrosanctum
Concilium e Lumen Gentium.
Este Concílio, convocado em 1962 pelo
Papa João XXIII, num período pós-guerras mundiais, foi o concílio do aggiornamento da Igreja, isto é, da
atualização e renovação da sua vida pastoral. Mais importante do que as ideias,
trouxe um espírito novo, radical, que transformou a Igreja dando-lhe uma postura
de diálogo e compromisso, partindo da sua autoconsciência.
A redação da Constituição Pastoral, que foi
o último documento do Concílio, deu um novo sentido à pastoral e à presença da
Igreja no Mundo. A renovação da Igreja pela abertura ao mundo é fundada em
razões teológico-cristológicas. Da mesma forma que Cristo, participando na natureza
humana pela Encarnação nos fez participar da Sua divindade, também a Igreja participando
na vida da humanidade lhe participa a vida de Deus. O espírito dialógico da
Constituição vai permitindo à Igreja redigir uma antropologia cristã, que a aproxima
do mundo. Procura-se consumar a história humana em história da salvação e,
assim, quando o Reino de Deus chegar não haverá distinção entre Igreja e Mundo:
todos farão parte do Reino. A história humana é vista como sinal revelador de
Deus e campo de ação de Deus. É a Igreja que na sua missão vai transformar a realidade
a partir da esperança no Reino.
É importante realçar que o método da
Constituição Pastoral, fruto do Concílio, teve por alicerces e fundamento o movimento de Pastoral de Conjunto, de origem francesa
e outros movimentos apostólicos, com o método da revisão da vida da Igreja, a
encíclica de João XXIII, Pacem in terris,
que já remetia para a consciência da natureza humana e para a necessidade da
colaboração entre os cristãos e os homens não crentes e a encíclica Ecclesiam suam, do Papa Paulo VI, que,
por sua vez, afirmava a necessidade da Igreja se autoconsciencializar e se
renovar e de conhecer o mundo moderno.
Cristo é o centro da Constituição
Pastoral, mas a linha cristocêntrica defendida por Paulo VI e pela Lumen Gentium, que partia de Cristo para
iluminar o magistério da Igreja é vivida de uma forma nova. Parte-se agora da humanidade
para chegar a Cristo, indutivamente, mas também dedutivamente: a humanidade é a
origem, todavia a resposta que a Igreja oferece é oriunda dum dom, do
acontecimento da Revelação, da práxis cristológica. Isto prova a missão religiosa
da Igreja: esta é hoje a encarnação na realidade que foi Cristo outrora. A missão
de Cristo universaliza-se no serviço da Igreja ao mundo de hoje, crente e não
crente, pela ação do Espírito Santo, uma vez que esta é sacramento originado na
sacramentalidade do Verbo encarnado.
Cristo ensina a lei fundamental da
perfeição humana, no caminho para a comunidade nova que é anunciada e antecipada
pela Igreja, na vivência da fé e dos sacramentos: o mandamento do Amor. Então Cristo
é o acontecimento do passado histórico, mas também do presente e do futuro
escatológico.
O Vaticano II descentraliza
as ações sacerdotal, profética e transformadora da Igreja, dando também ao comum cristão estas funções. O batismo iguala todo o cristão, permitindo a
evangelização por uma nova conceção de Igreja.
Concluindo, e
porque estamos num segundo momento de receção conciliar, o Vaticano II, suportado
por todos os documentos dele emanados que não perderam qualidade, continua a ser importante pela capacidade que teve
para dar uma nova imagem ao ser da Igreja. Os seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação com as novas instâncias da Igreja e da sociedade atual globalizada. Porém, a nova geração já não é o contexto
conciliar e constata-se que parte das ideias novas do concílio ainda não foram
desenvolvidas, quer por clérigos, quer por leigos. Há que voltar a refletir sobre estes ensinamentos e sobre a sua aplicação. Há que aproveitar os trilhos abertos pelo diálogo, renovação, atualização e
escuta permanente dos novos sinais dos tempos, através dos quais Deus se
manifesta e caminhar rumo a uma ação pastoral fundamentada em Cristo, no mundo
e no Reino. Os valores inegáveis do aggiornamento da Igreja requerem uma verdadeira conversão do coração para que sejam fruto do Espírito Santo e não meras palavras invocadas.
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