quarta-feira, 28 de outubro de 2015
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Visão Diacrónica da Teologia Prática
Séculos
Anos
|
Espaço
|
História Universal
|
Teologia Geral
|
Teologia Prática
(TP)
|
Séc. XVIII
1760
1774
1776
1789
|
França e Europa
Inglaterra
Portugal
Áustria
Estados Unidos da
América
França
Europa
Mundo
|
· Iluminismo
· Absolutismo
· Revolução
industrial
· Governo de Marquês
de Pombal
· Josefinismo
· Revolução
Americana
· Revolução Francesa
· Revoluções
burguesas
· Hegemonia
britânica
(capitalismo industrial)
|
Eclesiologia tridentina unilateral e
hierárquica
Teologia
do Iluminismo
A
Igreja ao serviço do Estado
Pobre reflexão teológica
|
· Nascimento da
Teologia Prática
· conceção antropocêntrica
da Pastoral: pragmática (conjunto de normas), utilitária, racionalista,
moralista e pouco teológica
· TP = arte
· TP é instituída
como disciplina universitária
|
Séc. XIX
1861-65
1869
1871
1876
|
Portugal e Europa
Alemanha
(Escola de Tubinga)
Europa
EUA
Itália
Alemanha
EUA
|
· Invasões francesas
·
Desenvolvimento
da Filosofia alemã
· Romantismo
·
Industrialização
·
Guerra
Civil Americana
·
Abolição
da escravatura
· Concílio Vaticano
I
· Unificação da
Alemanha
|
Orientação bíblio-teológica: a vida como
fundamento da Igreja, mantida pelo Espírito Santo e pela relação com o Verbo
encarnado – teologia do Romantismo
A.Graf: Igreja é comunidade viva que se autoedifica
na história
Teologia apologética
Definição da doutrina da fé católica, do
primado e da infalibilidade do Papa
Cristologia descendente:
resignação, expiação e poder (teórica)
Criatividade quase
nula
|
· Pastoral baseada
na Sagrada Escritura – o pastor é alter
Christus e investe-se na catequese
· identificação
entre
sacerdote, pastor e Igreja
· TP adquire caráter
científico
· Pastoral de
cristandade conservadora, dependente do direito canónico
· Os leigos são
sujeitos passivos e recetivos da ação pastoral
|
Séc. XX
1910
1914-1918
1939-1945
1962
1974
|
Portugal
Mundo
Itália
Portugal
|
· Implantação da
República
· Primeira Guerra
Mundial
· Segunda Guerra
Mundial
· Concílio Vaticano II
· Revolução de 25 de
Abril
|
H. Swoboda
Cristologia ascendente (prática)
Mistici
Corporis Christi
Comunidade cristã ativa: Boulard
Igreja=sacramento universal de salvação
Constituição pastoral
Lumen Gentium Gaudium et Spes
Humanae Vitae
Magistério teológico de K. Rahner
|
· Pastoral
missionária progressista, libertadora
· Pastoral estuda a
ação da Igreja
· Pastoral de
conjunto
· Pastoral
alicerçada em fundamentos teológicos
· Pastoral é a
ciência da autorrealização da Igreja
· Todos os membros
da Igreja são objeto da ação pastoral
|
Séc.
XXI
2001
2003
2004
2008
2009
2010
2015
|
EUA
Iraque
Tailândia
China
EUA
Mundo
Haiti
|
· Queda das Torres
Gémeas
· Início da guerra
contra o Regime Talibã
· Invasão do Iraque
pelos EUA e aliados
· Tsunami no Oceano
Índico
· Terramoto de 7,9
(ER)
· 1º presidente
negro dos EUA
· Recessão económica
mundial que inicia nos EUA
· Prémio Nobel da
Paz é para Obama
· Primavera Árabe
· Terramoto
|
Recurso da Teologia às ciências sociais
para a conhecimento do mundo
Autocrítica profunda da Igreja
Deus
caritas est:
sobre o amor cristão
Spe
Salvi:
sobre a esperança cristã
Doutrina da sacramentalidade da Igreja
Evangelli Gaudium: sobre o anúncio do
Evangelho no mundo atual
Lumen
Fidei:
sobre a fé
Laudato
Si:
sobre a ecologia
|
Desenvolvimento da
doutrina da pastoral de conjunto, que
segue o paradigma da Igreja Comunhão e Caridade
|
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
O Nascimento da Teologia Pastoral
A disciplina nasce
como ciência apenas em 1774, por decreto da imperatriz austríaca Maria Teresa,
embora já no século XIII se tivesse decretado o ensino do trabalho pastoral e
da prática da confissão, a par com o ensino das Escrituras.
De uma
primeira visão antropocêntrica, ligada ao Estado absoluto, a teologia pastoral passa
por uma visão bíblica, centrada no sacerdote alter Christus. Reconhece, depois, o seu caráter científico e
pragmático, de dimensão eclesiológica e volta a centra-se no pastor, por volta
da segunda metade do século XIX.
Após o
concílio Vaticano II, K. Rahner dá à teologia pastoral um novo impulso, como
ciência da autorrealização da Igreja à luz do contexto atual e mundial. Porém,
fez-se uma eclesiologia demasiado existencial e menos de ação.
A teologia do povo de Deus, a eclesiologia de
comunhão e a eclesiologia sacramental farão arborescer a pastoral de conjunto de Boulard, que
se procura hoje, alicerçada na Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja, o tronco do Concílio Vaticano II.
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Síntese da abordagem histórica da Teologia Prática
a partir de Casiano Floristan, Teologia Pratica. Teoria y Praxis de la
Accion Pastoral,
Ediciones Sígueme, Salamanca, 1998,
pp.31-122
A
práxis de Jesus
A ação de
Jesus refletida no seu ministério e documentada pelos Evangelhos, testemunhos
de fé das primeiras comunidades, nascidos da experiência pré-pascal e pascal, é
singular e paradigmática.
A imagem que
se tem de Jesus Cristo depende da ação pastoral sofrida e da reflexão teológica
empreendida. A família, a paróquia e a comunidade são fundamentais na conceção
dessa imagem e, consequentemente, no desenvolvimento da fé cristã.
As
cristologias surgidas após a Segunda Guerra Mundial opõe-se, ora
desconsiderando a humanidade de Jesus, ora partindo dessa mesma natureza
humana.
Compreende-se
a dimensão da práxis de Jesus pelo facto d’Ele não ter sido sacerdote do
templo, “escriba” da lei, ensinando que Deus é justiça e misericórdia e que o
verdadeiro culto é a conversão; pelo facto de ter sido profeta do Reino,
anunciando-O e presentificando-O pelas bem-aventuranças, pela sua
atividade libertadora, solidária e de comunhão, refletida na comunidade de
discípulos que integrou, o modelo do novo povo de Deus, a que se acede pela
conversão.
A ação
pastoral da Igreja foi díspar ao longo da sua história, resultado da conceção
de Igreja desde a antiguidade cristã até ao concílio ecuménico Vaticano II. A
Igreja começou por ser vista como Ecclesia
Mater, de ação comunitária e mediadora da verdade e da vida.
Passou a uma
Igreja como império, na época patrística, ainda assim Mãe ou Esposa pela Palavra
e pelo Sacramento, dando importância ao catecumenado. Aqui a ação pastoral focava-se
no combate às heresias e expunha a doutrina da salvação seguindo a Bíblia.
No período
medieval, época de fé espontânea, a Igreja desempenhou um papel sociológico e
serviu de norma jurídica, guardiã dos valores espirituais, políticos e
culturais do cristianismo, Ecclesia
Regina, submetida à autoridade do Papa. Contrariamente ao espírito do
Evangelho, surge a Inquisição (1220-30), resultado de uma vivência totalitária
e repressiva. O espírito de comunhão eclesial estava perdido, face às visões eclesiológicas
que surgem neste tempo. A aposta na evangelização foi a pregação litúrgica, que
nem sempre tinha o resultado esperado.
Face ao protestantismo
surgido a ocidente e ao Arianismo a oriente, o Concílio de Trento, na época
moderna, tenta uma reforma do ministério da Igreja, apostando na formação adequada
dos sacerdotes, apresentando um catecismo e incrementando o papel da família na
educação cristã e da catequese.
A
eclesiologia pós-tridentina desenvolve uma pastoral centrada nas diferenças,
para preservar e defender das heresias e do protestantismo. Assim, centra-se em
si mesma, afastando-se da realidade do mundo, afastando-se da história da
salvação. Até ao Concílio Vaticano I, a Igreja fecha-se no que foi, fugindo à
renovação, ao desenvolvimento e à sua missão peregrina de encarnar-se na sociedade.
Nos finais do
século XIX já surgem novos métodos pastorais por parte de confrarias e
associações, mesmo que mal vistos pela Igreja e, até o Concílio Vaticano
II, a conceção de Igreja é renovada, sinónimo, novamente, de mistério,
sacramento, comunhão e comunidade. A sensibilidade pastoral é maior por parte
dos teólogos, há um contacto mais íntimo com a Palavra de Deus e uma adaptação
do pensamento cristão às exigências do mundo moderno.
Para o estudo da Teologia Prática Fundamental de hoje, é elementar conhecer-se os contextos pelos
quais passou a ação pastoral da Igreja, nem sempre refletindo a práxis de
Jesus.
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