sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Visão Diacrónica da Teologia Prática


Séculos
Anos

Espaço

História Universal

Teologia Geral

Teologia Prática
(TP)

Séc. XVIII


1760



1774

1776



1789

França e Europa
  
Inglaterra

Portugal

Áustria

Estados Unidos da América


França


Europa
Mundo

·   Iluminismo

·   Absolutismo
·    Revolução industrial

·    Governo de Marquês de Pombal
·    Josefinismo

·   Revolução Americana



·    Revolução Francesa

·     Revoluções burguesas
·     Hegemonia britânica
(capitalismo industrial)



Eclesiologia tridentina unilateral e hierárquica


Teologia do Iluminismo


A Igreja ao serviço do Estado


Pobre reflexão teológica










·    Nascimento da Teologia Prática

·  conceção antropocêntrica da Pastoral: pragmática (conjunto de normas), utilitária, racionalista, moralista e pouco teológica

·  TP = arte

·  TP é instituída como disciplina universitária

Séc. XIX











1861-65



1869





1871

1876

Portugal e Europa

Alemanha
(Escola de Tubinga)




Europa

EUA



Itália





Alemanha

EUA

·   Invasões francesas


·    Desenvolvimento da Filosofia alemã

·     Romantismo



·   Industrialização

·   Guerra Civil Americana

·   Abolição da escravatura

·   Concílio Vaticano I




·   Unificação da Alemanha

·   Alexander Graham Bell inventou o telefone



Orientação bíblio-teológica: a vida como fundamento da Igreja, mantida pelo Espírito Santo e pela relação com o Verbo encarnado – teologia do Romantismo

A.Graf: Igreja é comunidade viva que se autoedifica na história

Teologia apologética

Definição da doutrina da fé católica, do primado e da infalibilidade do Papa


Cristologia descendente:
resignação, expiação e poder (teórica)
  
           Criatividade quase nula


·  Pastoral baseada na Sagrada Escritura – o pastor é alter Christus e investe-se na catequese

·  identificação entre
sacerdote, pastor e Igreja


·  TP adquire caráter científico



·  Pastoral de cristandade conservadora, dependente do direito canónico

·  Os leigos são sujeitos passivos e recetivos da ação pastoral

Séc. XX

1910

1914-1918


1939-1945



1962




1974



Portugal




Mundo



Itália




Portugal



·     Implantação da República
·     Primeira Guerra Mundial

·     Segunda Guerra Mundial



·     Concílio Vaticano II



·     Revolução de 25 de Abril

H. Swoboda

Cristologia ascendente (prática)

Mistici Corporis Christi

Comunidade cristã ativa: Boulard

Igreja=sacramento universal de salvação

Constituição pastoral 
Lumen Gentium
Gaudium et Spes
  Humanae Vitae

Magistério teológico de K. Rahner

·  Pastoral missionária progressista, libertadora

·  Pastoral estuda a ação da Igreja

·  Pastoral de conjunto

·  Pastoral alicerçada em fundamentos teológicos

·  Pastoral é a ciência da autorrealização da Igreja

·  Todos os membros da Igreja são objeto da ação pastoral


Séc. XXI

2001



2003


2004


2008









2009





2010






2015



EUA



Iraque


Tailândia


China


EUA






Mundo





Haiti



·     Queda das Torres Gémeas
·     Início da guerra contra o Regime Talibã
·     Invasão do Iraque pelos EUA e aliados

·     Tsunami no Oceano Índico

·     Terramoto de 7,9 (ER)


·     1º presidente negro dos EUA

·     Recessão económica mundial que inicia nos EUA

·     Prémio Nobel da Paz é para Obama


·     Primavera Árabe


·     Terramoto





Recurso da Teologia às ciências sociais para a conhecimento do mundo

Autocrítica profunda da Igreja



Deus caritas est: sobre o amor cristão

Spe Salvi: sobre a esperança cristã






Doutrina da sacramentalidade da Igreja



Evangelli Gaudium: sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual

Lumen Fidei: sobre a fé

Laudato Si: sobre a ecologia



















Desenvolvimento da
doutrina da pastoral de conjunto, que segue o paradigma da Igreja Comunhão e Caridade

















Ramos, J.A., Teología pastoral, ed. BAC, Madrid 2006, págs.34-54

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O Nascimento da Teologia Pastoral

A disciplina nasce como ciência apenas em 1774, por decreto da imperatriz austríaca Maria Teresa, embora já no século XIII se tivesse decretado o ensino do trabalho pastoral e da prática da confissão, a par com o ensino das Escrituras.

De uma primeira visão antropocêntrica, ligada ao Estado absoluto, a teologia pastoral passa por uma visão bíblica, centrada no sacerdote alter Christus. Reconhece, depois, o seu caráter científico e pragmático, de dimensão eclesiológica e volta a centra-se no pastor, por volta da segunda metade do século XIX.

Após o concílio Vaticano II, K. Rahner dá à teologia pastoral um novo impulso, como ciência da autorrealização da Igreja à luz do contexto atual e mundial. Porém, fez-se uma eclesiologia demasiado existencial e menos de ação.

A teologia do povo de Deus, a eclesiologia de comunhão e a eclesiologia sacramental farão arborescer a pastoral de conjunto de Boulard, que se procura hoje, alicerçada na Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja, o tronco do Concílio Vaticano II.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Síntese da abordagem histórica da Teologia Prática

a partir de Casiano Floristan, Teologia Pratica. Teoria y Praxis de la Accion Pastoral,
Ediciones Sígueme, Salamanca, 1998, pp.31-122

A práxis de Jesus
A ação de Jesus refletida no seu ministério e documentada pelos Evangelhos, testemunhos de fé das primeiras comunidades, nascidos da experiência pré-pascal e pascal, é singular e paradigmática.

A imagem que se tem de Jesus Cristo depende da ação pastoral sofrida e da reflexão teológica empreendida. A família, a paróquia e a comunidade são fundamentais na conceção dessa imagem e, consequentemente, no desenvolvimento da fé cristã.

As cristologias surgidas após a Segunda Guerra Mundial opõe-se, ora desconsiderando a humanidade de Jesus, ora partindo dessa mesma natureza humana.

Compreende-se a dimensão da práxis de Jesus pelo facto d’Ele não ter sido sacerdote do templo, “escriba” da lei, ensinando que Deus é justiça e misericórdia e que o verdadeiro culto é a conversão; pelo facto de ter sido profeta do Reino, anunciando-O e presentificando-O pelas bem-aventuranças, pela sua atividade libertadora, solidária e de comunhão, refletida na comunidade de discípulos que integrou, o modelo do novo povo de Deus, a que se acede pela conversão.

A ação pastoral da Igreja foi díspar ao longo da sua história, resultado da conceção de Igreja desde a antiguidade cristã até ao concílio ecuménico Vaticano II. A Igreja começou por ser vista como Ecclesia Mater, de ação comunitária e mediadora da verdade e da vida.

Passou a uma Igreja como império, na época patrística, ainda assim Mãe ou Esposa pela Palavra e pelo Sacramento, dando importância ao catecumenado. Aqui a ação pastoral focava-se no combate às heresias e expunha a doutrina da salvação seguindo a Bíblia.

No período medieval, época de fé espontânea, a Igreja desempenhou um papel sociológico e serviu de norma jurídica, guardiã dos valores espirituais, políticos e culturais do cristianismo, Ecclesia Regina, submetida à autoridade do Papa. Contrariamente ao espírito do Evangelho, surge a Inquisição (1220-30), resultado de uma vivência totalitária e repressiva. O espírito de comunhão eclesial estava perdido, face às visões eclesiológicas que surgem neste tempo. A aposta na evangelização foi a pregação litúrgica, que nem sempre tinha o resultado esperado.

Face ao protestantismo surgido a ocidente e ao Arianismo a oriente, o Concílio de Trento, na época moderna, tenta uma reforma do ministério da Igreja, apostando na formação adequada dos sacerdotes, apresentando um catecismo e incrementando o papel da família na educação cristã e da catequese.

A eclesiologia pós-tridentina desenvolve uma pastoral centrada nas diferenças, para preservar e defender das heresias e do protestantismo. Assim, centra-se em si mesma, afastando-se da realidade do mundo, afastando-se da história da salvação. Até ao Concílio Vaticano I, a Igreja fecha-se no que foi, fugindo à renovação, ao desenvolvimento e à sua missão peregrina de encarnar-se na sociedade.

Nos finais do século XIX já surgem novos métodos pastorais por parte de confrarias e associações, mesmo que mal vistos pela Igreja e, até o Concílio Vaticano II, a conceção de Igreja é renovada, sinónimo, novamente, de mistério, sacramento, comunhão e comunidade. A sensibilidade pastoral é maior por parte dos teólogos, há um contacto mais íntimo com a Palavra de Deus e uma adaptação do pensamento cristão às exigências do mundo moderno.


Para o estudo da Teologia Prática Fundamental de hoje, é elementar conhecer-se os contextos pelos quais passou a ação pastoral da Igreja, nem sempre refletindo a práxis de Jesus.