Os
desafios da atualidade pedem à Igreja que repense profundamente a sua missão, à
luz do grande acontecimento que foi Vaticano II, no sentido de que esta seja
uma continuação efetiva da missão evangelizadora de Cristo: o anúncio da Boa
Nova do Reino e sua presentificação. A salvação anunciada por Cristo é transcendente
e escatológica, pois já tem certamente o seu começo nesta vida, mas terá
realização completa na eternidade.
A
primeira Carta Pastoral do Bispo de Coimbra, intitulada “A alegria de crer e o
entusiasmo de comunicar a fé”, procurou ajudar a Igreja da diocese a sintonizar
com a Igreja Universal, convocada pelo Papa Bento XVI para ajudar a entrar em
profundidade no mistério da fé que
professamos, celebramos, rezamos e vivemos.
Assim
o Plano delineado pelo Secretariado de Coordenação Pastoral traça como grande
linha de força a evangelização em ordem ao desabrochar da fé em Jesus Cristo
como o único Salvador (Diaconía), à inserção na vida eclesial (Koinonía) como
lugar de vida e anúncio (Martyría) e à transformação do mundo por meio do testemunho
dos critérios evangélicos (Liturgia). Aqui se verifica a presença da constante
articulação e dinamismo unificador entre as mediações evangelizadoras da ação
da Igreja que fazem desta um todo orgânico, sinal de discernimento, de autenticidade
cristã e eclesial presente na ação pastoral ligada ao serviço e à comunhão.
A
diminuição acelerada da prática religiosa, a escassa presença e participação
dos jovens na vida da comunidade cristã, o distanciamento da cultura em relação
à fé e o ordenamento da vida social e moral fora dos parâmetros dos valores
cristãos são alguns dos sintomas mais
evidentes de que somos um vasto mundo a evangelizar, e, por isso, este plano pastoral
apresenta a Diocese de Coimbra como terra de missão, terreno a evangelizar. São
necessários sacerdotes e leigos, uns e outros a assumir a sua vocação e missão.
Ao
definir e formular a missão (Diocese de Coimbra, comunidade que
vive a fé e anuncia o Evangelho como caminho de encontro pessoal com Cristo,
Único salvador, e com a sua Igreja)
e a visão (Alicerçados em Cristo, formamos uma comunidade de discípulos para o
anúncio do Evangelho) para a Diocese de Coimbra no tempo presente, este
plano pastoral busca progredir na conquista de 4 objetivos que pretendem traçar
um caminho de aprofundamento da fé e fazer crescer o dinamismo de discípulos-missionários:
1º proporcionar o encontro pessoal com Cristo através do primeiro anúncio; 2º criar
o dinamismo do discipulado missionário nos membros da comunidade cristã; 3º criar
nos cristãos o «sentido de pertença» eclesial; 4º fomentar a
corresponsabilidade pastoral nas unidades pastorais. Além da vertente do
anúncio e da formação sólida dos que formam a comunidade de discípulos, o Plano
Pastoral pretende atender também à edificação da comunhão e à renovação das
estruturas eclesiais; dará ainda prioridade, no diálogo com o mundo, àquilo que
é património comum de cultura e valores com esse mesmo mundo.
Embora
os quatro objetivos definidos no Plano Pastoral sejam entendidos como um todo a
implementar na vida da Igreja diocesana, o ano passado intensificou-se a
reflexão e a ação em torno do primeiro, centrado no encontro pessoal com Cristo
através do primeiro anúncio (ação missionária). Para o ano de 2015, propôs-se
como ponto forte o segundo objetivo, que se refere à implementação de
dinamismos conducentes à criação de comunidades de discípulos missionários(ação catecumenal).
No
entanto, não haverá crescimento nem da comunidade, nem do anúncio, sem
testemunho de vida (presença e ação no mundo) e sem caridade (ação pastoral), que permanecem como valores subjacentes,
permanentes e transversais . O testemunho
da vida cristã é a primeira e insubstituível forma de missão (Exortação
Apostólica Redemptoris Missio 42-43).
Neste
tempo de prova que impulsiona o eu,
urge promover antes a comunidade como sacramento, porque é nela que a comunhão
com Cristo se realiza. Todos somos chamados a sentir-nos Igreja em estado de
missão: Ai de mim se não evangelizar,
pois esta é a nossa identidade de comunidade cristã.
Este
Plano Pastoral tem em conta todas as realidades da diocese e é nelas que a
Igreja é chamada a ser sal e luz. Reflete a urgência da mudança de atitude e da
conversão pastoral, reestruturando laços (modelo comunitário), para que a Igreja seja uma Igreja em estado de missão, de acordo com o pedido do Papa
Francisco na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium e para que 99% das
ovelhas do Rebanho do Pastor não se percam.
Fontes: Sotomayor, Alberich Emilio, Catequesis Evangelizadora, Manual de catequética fundamental, Editorial CCS, Madrid, 2003, pás. 45-63 e Plano Pastoral da Diocese de Coimbra para o triénio 2013-2016
Fontes: Sotomayor, Alberich Emilio, Catequesis Evangelizadora, Manual de catequética fundamental, Editorial CCS, Madrid, 2003, pás. 45-63 e Plano Pastoral da Diocese de Coimbra para o triénio 2013-2016

Ótima articulação entre a base teórica e o plano pastoral, mesmo sem conhecer a realidade da diocese de Coimbra percebe-se claramente o seu objetivo de ação pastoral. Bom trabalho!
ResponderEliminarOlá Célia, concordo com a Ana, fizeste uma ótima análise, profunda e detalhada do plano pastoral da nossa diocese, que está a terminar, como tu colocas aqui. Penso que os objetivos do próprio Plano foram cumpridos, fazemos parte de uma Igreja viva e a trabalhar ativamente na nossa terra. Parabéns pelo teu trabalho.
ResponderEliminarEstamos a caminho, Sandra, o Plano Pastoral só termina em 2016.
Eliminar99%...Deus queira :)
ResponderEliminarsim, lendo inversamente a parábola da ovelha perdida, a ação pastoral tradicional apenas cuida da comunidade cristã que se conserva fiel (1%). Há que tratar das restantes ovelhas que estão perdidas: mudar de atitude, de modelo de ação.
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